01 setembro 2011


Ed #21
Jesus era ruim de marketing!
por Caio Fábio

Alguém me escreveu dizendo que não entende por que Jesus agiu como agiu, ao invés de fazer como César ou Alexandre, o Grande.

A ele e a tantos quantos pensam a mesma coisa, digo o seguinte: Jesus veio para salvar o mundo, e, contudo, não fez nada igual aos que se oferecem como salvadores dos homens.

Já se disse demais [embora valha a pena repetir] que Ele não escreveu sequer um livro, não erigiu um pilar, por mais fajuto que fosse; não mudou para Roma e nem para Atenas ou mesmo para Jerusalém; não aceitou a oferta dos gregos de ir viver entre eles; não buscou impressionar os filósofos gregos ou os senadores romanos; e nem tampouco sistematizou um ensino para ser decorado ou aprendido; e, para completar a serie de “insensatezes”, ainda escolheu andar com gente que não formava opinião, não era conhecida, não tinha berço, e não agia no meio político ou religioso. Ele fez como o Pai: Do que estava sem forma e vazio Ele iniciou o reino!

Além disso, Ele não gerou filhos e nem deixou herdeiros carnais de nada. Não criou amuletos com pedaços de suas roupas ou utensílios de uso pessoal [toda essa história de Graal e relíquias santas é paganismo comercial brabo feito em nome de Jesus], não “marcou lugares santos” e nem estabeleceu “peregrinações sagradas”, como ir à Jerusalém, à Cafarnaum, e muito menos a qualquer outro lugar santo ou “Meca”.

Também não inventou “uma parte profunda” de Seu ensino apenas reservado aos Entendidos e Autoridades. Não venerou nada. Não se vinculou à coisa alguma, nem mesmo ao Templo de Jerusalém, ao qual derrubou com palavras proféticas.

Chocante também é o fato Dele não se poupar em nada. Cansado, então cansado. Com sede, então com sede. Ameaçado, então cauteloso. Descrido, então muda de lugar. Amado, mostra amor, mas não fica seqüestrado pelo amor de ninguém. Desperdiça oportunidades de ouro. Joga fora o que ninguém jogava. Insurge-se contra aquilo que ninguém se levantava em oposição. Provoca a morte com vida até ressuscitar.

Ressuscitar. Sim! Mas para quê? Se as testemunhas não eram criveis. Até óvnis têm testemunhos mais criveis do ponto de vista do que se julga um testemunho respeitável. E além de tudo Ele só aparece para quem crê, e não faz nenhuma aparição ante seus inimigos, no Sinédrio de Jerusalém, por exemplo. Até para ressuscitar Ele trabalha contra Ele mesmo, do ponto de vista de “estratégia de ressurreição”.

Sim! Jesus não fez nada concreto. Tudo Nele era abstrato, até quando era concreto. Tudo tinha que ser apreendido com o coração, e não apenas aprendido com a mente. Um dia depois do milagre da multiplicação de pães e peixes, todo o resultado do milagre já havia sido digerido e evacuado. Ninguém foi por Ele instruído a guardar amostra dos pães e peixes, nem tampouco pediu Ele que se guardasse um tonel de vinho de Cana.

Jesus era do tipo que jamais chegaria à Betânia e diria: “Foi aqui que ressuscitei Lázaro!”

Sim! Ele não tem histórias de Si mesmo para contar. O presente é a História para Jesus. Suas histórias não são passadas, são todas presentes. Suas histórias são as Suas palavras de vida e poder enquanto...

Ora, eu poderia ficar escrevendo aqui para sempre sobre o assunto [aliás, tenho três livros que lidam com essas questões de modo amplo e extenso]; no entanto, o que me interessa é apenas afirmar que assim como Jesus tratou a vida e a História, do mesmo modo Ele espera que nós o façamos, até quando estivermos exaltando o Seu nome ou pregando a Sua Palavra; e, sobretudo, no vivendo da vida.

Ou quem nos fez pensar que Jesus era assim apenas porque Ele tinha que ser assim? — Mas que nós, que não somos Ele [e que temos a tarefa de propagandeá-LO na terra], temos permissão para tratarmos Jesus em relação ao mundo de um modo diferente do que Ele tratou a Si mesmo? Sim! Quem nos convenceu de tal loucura?

O modo de vivermos e pregarmos o nome de Jesus no mundo é exatamente o mesmo com o qual Ele tratou a Si mesmo na experiência humana de Seu existir entre nós.

“Meu reino não é deste mundo!”

Afinal, quem é César? Quem é Alexandre?

Você deve a vida a qualquer um dos dois? Em que César ou Alexandre ajudam a sua vida hoje?

Assim, pergunto:

Você aceita desistir do que erro no qual foi criado na religião e passar a viver com os modos e motivações de Jesus?

Pense nisso!

Caio

17 março 2011

Ed #20
As acusações de um ex-pastor
por Victor Ferreira (Revista Época)

Um dissidente da Igreja Mundial relata como foi orientado a distorcer trechos da Bíblia para aumentar a coleta de dinheiro dos fiéis.

Aprendiz: O pastor Givanildo no altar de sua nova igreja, em Araçatuba (à esq.). À direita, ele num estúdio de TV com Valdemiro Santiago, líder da Mundial.

A Igreja Mundial do Poder de Deus é tida como a igreja neopentecostal que mais cresce no Brasil. Tem mais de 2.300 templos e ocupa quase toda a programação da Rede 21, além de horários em outros canais. Quando foi fundada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, em 1998, o então motorista de caminhão Givanildo de Souza começava a trabalhar em Sorocaba, no interior de São Paulo. Entusiasmado com as promessas de cura, enriquecimento e ressurreição, ele resolveu trocar o caminhão pelos templos. Virou discípulo de Valdemiro e obreiro da Mundial. Para provar sua proximidade com Valdemiro, Givanildo exibe fotos de sua família com a de Valdemiro, todos em trajes de lazer.
A dedicação ao altar lhe rendeu promoções. Givanildo passou por várias cidades até ser transferido para Araçatuba, a 525 quilômetros da capital paulista. Lá ficou responsável por 14 igrejas. Como pastor regional, chefiava os colegas e respondia pelo dinheiro arrecadado. Semanalmente, diz, enviava para a sede os montantes recolhidos. O vínculo com a Mundial durou até julho deste ano. Depois de se declarar descontente, Givanildo decidiu sair e agora faz acusações contra a Mundial. Ele afirma que era orientado a distorcer trechos da Bíblia para aumentar a arrecadação com os fiéis. É a primeira vez que um dissidente da Mundial dá um depoimento assim.
Representantes da igreja foram procurados para comentar, mas não quiseram responder. A seguir, suas principais afirmações sobre o funcionamento da Mundial.

A pressão por arrecadação
Os líderes da Igreja Mundial, segundo Givanildo, estabelecem metas financeiras a seus subordinados e cobram resultados. “Se eu não dobrasse o valor, ia ser mandado embora com minha família e tudo”, diz. Givanildo conta que, um pouco antes de deixar a Mundial, despachava para a sede cerca de R$ 300 mil por mês, oriundos do bolso dos fiéis. “Depositava na conta da igreja. Às vezes, pediam para levar em mãos.”
A pressão por arrecadação e as técnicas para extrair dinheiro de fiéis, segundo ele, eram ditadas pelo bispo Josivaldo Batista, o segundo homem da Mundial. Josivaldo, diz, lidera a segunda parte dos encontros periódicos de pastores para falar de crescimento financeiro. “A primeira parte da reunião é televisionada. Depois que desligam tudo, o bispo Josivaldo começa a falar: ‘O negócio é o seguinte, se não crescer, vamos fazer umas trocas aí. Vamos botar os pastores lá no fundão do Nordeste, no meio do mato’.”

O uso da Bíblia
Givanildo diz que, nas reuniões, Josivaldo também mostra como usar trechos da Bíblia para aumentar a arrecadação. “Houve uma campanha feita em cima de Isaías 61:7, sobre a dupla honra. Aí surgiu a proposta de pedir 30% do salário da pessoa.” Esse versículo diz o seguinte: “Em lugar da vossa vergonha tereis dupla honra; (...) por isso na sua terra possuirão o dobro e terão perpétua alegria”. Segundo Givanildo, os pastores passaram a pregar que para obter a “dupla honra” era necessário “dobrar” o dízimo e dar mais 10% do salário como oferta. Total: 30%. O “trízimo” ficou conhecido como uma inovação introduzida pela igreja de Valdemiro.
Outra orientação comum, diz Givanildo, é fazer associações simplórias entre números citados em textos sagrados e metas de ofertas. Num trecho bíblico que descreve uma batalha está dito que 7 mil guerreiros “não se dobraram a Baal”. É o que basta para uma associação. Depois de reler essa frase aos fiéis, os pastores passam a pedir doações de 7 mil pessoas, insinuando que se trata de uma determinação bíblica.

A barganha pela água benta
Na Mundial, de acordo com Givanildo, o acesso a bens sagrados são barganhados. Josivaldo, diz ele, mandava distribuir água benta só aos que contribuíssem financeiramente. “A gente tinha de dizer assim: ‘Eu quero 200 pessoas com oferta de R$ 100, que eu vou dar uma água’. Para aquelas que não tinham oferta, não podia dar.” 

Os motivos da ruptura
“Eu fazia meu melhor no altar, só que quando chegava nesse momento de pedir oferta não me sentia bem. Ficava enojado”, afirma. “Se a igreja está passando necessidade, não pode ter fazenda, clube.” Givanildo conta que era considerado “rebelde” por não colocar em prática as campanhas de ofertas acima de R$ 100. E, quando o faturamento caía, era acusado de roubo, diz. “Um dia, na reunião, o bispo Josivaldo, querendo me humilhar, gritou assim: ‘Pastor Souza, vem aqui na frente’. Ele disse que tinha uma acusação, que eu estava pegando propina de outros pastores.”

A nova igreja
Fora da Mundial, Givanildo montou sua própria igreja, a Missionária do Amor. Seu primeiro templo, em Araçatuba, tem sistema de som, grafite na parede e quase uma centena de bancos estofados. Com que dinheiro montou tudo isso? “Tem gente que acredita e está me ajudando”, afirma. Sua igreja não parece ser muito diferente da Mundial. Givanildo afirma que, pelo menos no que diz respeito à forma de pedir ofertas, não segue os passos de Valdemiro

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Sola Scriptura.
Diego Rios

05 março 2011

Ed #19
Livre-arbítrio não existe!
por Diego Rios

O livre-arbítrio não existe.

Dizer isso é praticamente uma sandice já que é uma expressão corriqueiramente utilizada.

Mas você sabe o que é livre-arbítrio? Lá vão algumas definições encontradas na internet:


                    1. É a crença ou doutrina filosófica que defende que a pessoa tem o poder de escolher suas ações. (Wikipédia);
                    2. É apossibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante. (Wikcionário).

O livre-arbítrio não existe simplesmente porque ninguém tem o poder de livremente escolher suas ações. Ou, ainda, ninguém tem, livremente, a possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isto é, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa.

O livre-arbítrio é uma das expressões repetidas anos a fio sem que as pessoas sequer tenham a curiosidade de questionar sua razão de ser. E, como disse Josef Goebbels, uma mentira dita cem vezes torna-se verdade (em parte, é verdade). Não sei se por medo de dizer algo diferente do que todo mundo diz, mas ainda há quem diga que essa invenção humana é obra de Deus!

Não podemos dizer, contudo, que o homem não possui arbítrio. Com certeza o tem, só que este arbítrio não é livre.

Podemos provar que o livre-arbítrio não existe tanto no campo filosófico, quanto no científico e no teológico.

1. Campo filosófico
O livre arbítrio não existe porque suas ações não são livres. Suas ações e escolhas são vítimas de fatores externos que as condicionam, como clima, disposição física, emocional, e, inclusive, o arbítrio alheio.

2. Campo científico
Enquanto eu pesquisava sobre o tema, encontrei uma matéria na revista Super Interessante (edição 256 de set/2008). A prova da inexistência científica do livre-arbítrio demonstrado nesta matéria está no final desta postagem.

3. Campo teológico
Por fim, o que mais nos interessa. Dizer que nosso arbítrio é livre é o mesmo que dizer que Deus não é soberano e que não é todo-poderoso.

Aliás, falando em todo-poderoso, no filme que tem esse nome, estrelado por Jim Carrey, está a prova cabal de que o livre-arbítrio não coexiste com o poder supremo de Deus, que é o único que possui livre-arbítrio.

Nesse filme, Bruce (personagem de Jim Carrey) perde o amor de sua esposa. Para retomá-lo, usa os poderes de Deus que lhe foram entregues para retomar esse amor. Ele bradava: “ME AME!”. Ineficaz, por causa do livre-arbítrio da sua esposa.

Notem como Deus deixou de ser todo-poderoso. Alguém poderia dizer: Deus não obriga ninguém a amá-lo. Mas nesta situação hipotética, obrigou, e não foi capaz!

Mas vamos para a Bíblia. Em Êxodo 10.20, Deus mandou uma praga para que Faraó liberasse o povo da escravidão no Egito. Mas notem o verso. Deus endureceu o coração de Faraó que mudou de ideia. Onde estava o livre-arbítrio de faraó?

Por fim, Filipenses 2.13: “porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”.

É claro que o homem possui escolhas, possui vontade própria. Isto é, possui arbítrio. Mas este não é livre. Senão Deus não seria onipotente. Nossa vontade, escolhas e ações são totalmente afetadas por tudo. Principalmente por Deus.

Sola Scriptura.
Diego Rios.

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Matéria da revista Super Interessante (Fonte: http://super.abril.com.br/saude/livre-arbitrio-nao-existe-447694.shtml)

O livre-arbítrio não existe

A ciência comprova: você é escravo do seu cérebro

por Texto Salvador Nogueira


Você se interessou pelo tema desta reportagem e, por isso, resolveu dar uma lida. Certo? Errado! Muito antes de você tomar essa decisão, a sua mente já havia resolvido tudo sozinha – e sem lhe avisar. Uma experiência feita no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim, colocou em xeque o que costumamos chamar de livre-arbítrio: a capacidade que o homem tem de tomar decisões por conta própria. As escolhas que fazemos na vida são mesmo nossas. Mas não são conscientes. Voluntários foram colocados em frente a uma tela na qual era exibida uma seqüência aleatória de letras. Eles deveriam escolher uma letra e apertar um botão quando ela aparecesse. Simples, não? Acontece que, monitorando o cérebro dos voluntários via ressonância magnética, os cientistas chegaram a uma descoberta impressionante. Dez segundos antes de os voluntários resolverem apertar o  botão, sinais elétricos correspondentes a essa decisão apareciam nos córtices frontopolar e medial, as regiões do cérebro que controlam a tomada de decisões. “Nos casos em que as pessoas podem tomar  decisões em seu próprio ritmo e tempo, o cérebro parece decidir antes da consciência”, afirma o cientista John Dylan-Haynes. Isso porque a consciência é apenas uma  “parte” do cérebro – e, como a experiência provou,  outros processos cerebrais que tomam decisões antes dela. Agora os cientistas querem aumentar a complexidade do teste, para saber se, em situações mais complexas, o cérebro também manda nas pessoas. “Não se sabe em que grau isso se mantém para todos os tipos de escolha e de ação”, diz Haynes. “Ainda temos muito mais pesquisas para fazer.” Se o cérebro deles deixar, é claro.

A pessoa decide

O voluntário precisa tomar uma decisão bem simples: escolher uma letra. Enquanto ele faz isso, seu cérebro é monitorado pelos cientistas

1. Observa a tela...
O voluntário olha para uma seqüência de letras, que vai passando em ordem aleatória numa tela e muda a cada meio segundo.

2. Escolhe uma letra...
Na mesa, existem dois botões: um do lado esquerdo e outro do lado direito. O voluntário deve escolher uma letra – e, quando ela passar na tela, apertar um desses dois botões.

3. E aperta o botão.
Pronto. A experiência terminou. O voluntário diz aos pesquisadores qual foi a letra que escolheu e em que momento tomou a decisão.

Mas o cérebro já resolveu

Bem antes de a pessoa apertar o botão, ele toma as decisões sozinho
10 segundos antes - os córtices medial e frontopolar, que controlam a tomada de decisões, já estão acesos – isso indica que o cérebro está escolhendo a letra.
5 segundos antes - os córtices motores, que controlam os movimentos do corpo, estão ativos. Olhando a atividade deles, é possível prever se a pessoa vai apertar o botão direito ou o esquerdo.

E já é possível prever pensamentos

Além de provar que o livre-arbítrio não existe, a neurociência acaba de fazer outro enorme avanço: pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, construíram um computador capaz de ler pensamentos.
Ou quase isso. Cada voluntário recebeu uma lista de palavras sobre as quais deveria pensar. Enquanto ele fazia isso, um computador analisava sua atividade cerebral (por meio de um aparelho de ressonância magnética). O software aprendeu a associar os termos aos padrões de atividade cerebral – e, depois de algum tempo, conseguia adivinhar em quais palavras as pessoas estavam pensando. O sistema ainda tem uma grande limitação – ele só consegue ler a mente de uma pessoa se ela estiver totalmente concentrada. O que nem sempre é fácil. “Às vezes, no meio da experiência, o estômago de um voluntário roncava, ele pensava ‘estou com fome’”, e isso embaralhava o computador, conta o cientista americano Tom Mitchell, responsável pelo estudo.

04 setembro 2010

Ed #18

Bendita é a nação cujo Deus é o Senhor...

por Diego Rios


Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo ao qual escolheu para sua herança. Sl. 33.12


Esta canção, este verso do Salmo 33 já se tornou um jargão evangélico recorrente em vésperas de eleições presidenciais. Me recordo como era repetida quando Antony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, era candidato.


O mentiroso, falso profeta, líder do G12, Renê Terra Nova, intitulado “Paipóstolo”, deu a seguinte profetada, ipsis litteris:

"Há muito tempo tenho pedido a Deus um homem segundo o Seu coração para comandar o destino do Brasil. Ele me respondeu e, esse homem chama-se Anthony Garotinho. Ele está sendo perseguido, humilhado, ultrajado e dizem que não há nenhuma esperança ou perspectiva para ele. Sua campanha, à despeito das críticas, decolou e está em terceiro lugar.Nós temos a estratégia para fazer de Garotinho um grande homem. Esse projeto é do conhecimento dos meus 12, 144 e 1.728. E nós sabemos que por um milagre veremos a glória de Deus e eu queria que você soubesse que o 40 que está no seu carro é o número de Anthony Garotinho, Presidente da Republica Federativa do Brasil e nós vamos votar neste homem que é candidato já crendo nesta palavra profética de que ele será o nosso presidente. A igreja toda deve se envolver nesta campanha e virar cabo eleitoral do Garotinho. Também colocar adesivos no seu carro, na porta de casa, pintar o muro, fazer cartazes, incentivar sua família e amigos e acreditar que este homem, debaixo da direção do Espírito Santo, fará do Brasil um país melhor. O MIR está aliançado com Anthony Garotinho. Tenho chorado e clamado a Deus para que Ele faça o sobrenatural e, queria que você tivesse essa compreensão: Anthony Garotinho é o nosso presidente."


É importante dizermos que o Salmo cantava da bênção de se viver em uma nação constituída de um povo eleito, sob um governo teocrático. E o conceito de nação era bem restrito: Israel.


Nação, no conceito jurídico, é a reunião de três elementos: povo, território e soberania. Hoje, nós, salvos pelo sangue de Jesus, somos uma nação santa, porque somos um povo adquirido, que têm um território garantido, a nova Jerusalém, e reconhecemos a soberania do nosso Deus. A nação à qual se aplica a verdade do salmo, não é mais um determinado país, mas o povo santo de Deus espalhado pela face da Terra.


É importante entender isso, para perceber que é uma infantilidade ficar repetindo este salmo para convencer os crentes de que um candidato evangélico vai fazer o Brasil virar um céu.


Qualquer ignorante enxerga que Garotinho não fez do Rio de Janeiro nenhum terceiro Céu. O tráfico de drogas não diminuiu, e as balas perdidas não deixaram de ser encontradas por corpos inocentes. O Rio de Janeiro não se tornou um Estado bendito, sendo, ao contrário, temido por turistas do mundo inteiro.

Jeová não será o Deus do Brasil se a Marina Silva for presidenta, assim como as pessoas não terão um caráter melhor, ou Jesus será mais evidente. Em suma, ter um cristão como presidente não faz os demônios (em todos os sentidos) agirem com menos agressividade.


Além do mais, vivemos em um presidencialismo republicano, e em estado democrático de Direito, diferentemente do Estado teocrático de Israel, em que o Rei poderia simplesmente mandar retirar os astarotes e matar os hereges. O presidente da república não tem carta branca para fazer o que quiser. O Governo Federal não pode agir além dos limites legais. Quem faz as leis, não é o Presidente, mas o Legislativo. Quantos “irmãos” temos no Congresso Nacional? E o Brasil não virou nenhum paraíso por causa disso.


Não estou dizendo para preterirem a nossa irmã, a candidata Marina Silva, mas também não digo que votem nela. Eu espero que as eleições de 2010 tenham uma participação livre, consciente e inteligente de todos os cristãos e não cristãos.


Mais do que ficarmos defendendo ou atacando a um ou a outro candidato, sejamos verdadeiros cristãos e oremos pelo futuro do nosso País, seja a nossa irmã Marina Silva a líder política máxima do Executivo, ou não.


Sola Gratia.

Diego Rios de Araujo.

16 agosto 2010

Ed #17
Os novos evangélicos?
por Flávio Alcantara

“O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” (Ricardo Agreste para Revista Época)


Adquiri a Revista Época desta semana, que traz na capa uma matéria interessantíssima do jornalista Ricardo Alexandre: ”Os novos Evangélicos – Um movimento de fiéis critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas – e propõe uma nova reforma protestante”. Trata-se de uma ótima reportagem que traz à tona as discussões que há tanto tempo, nós, da blogosfera cristã e alguns pensadores cristãos como Ricardo Gondim, Ed René Kivitz, Augusto Nicodemus e Ricardo Gouveia, tratamos a respeito da desordem, bagunça e confusão que se tornou a igreja dita evangélica brasileira.

Depois de ler a reportagem, embora não concorde com certos pontos, como por exemplo, a matéria focou principalmente apenas uma das lutas, que é contra a teologia da prosperidade pregada principalmente pelos neopentecostais, e também com o fato de rotular como "novos" evangélicos as pessoas que estão engajadas nessa luta, cometendo assim um grande equívoco, pois nós, sempre estivemos aqui, resistindo às ofensivas e modismos religiosos que tentam desmoralizar o verdadeiro Evangelho, e se existe algo novo, é toda essa balbúrdia que vemos por aí, mas, confesso que fiquei otimista ao saber que todo nosso trabalho pela moralização da igreja está trilhando um caminho para alguma mudança significativa, e que a sociedade já consegue de alguma forma separar "evangélicos" de Evangélicos. Me chama a atenção o fato de, mesmo sem ter um líder como Lutero ou Calvino na reforma protestante, há relatos de pessoas comprometidas pelo Brasil, que estão desencadeando de dentro pra fora, a partir de pequenos grupos ou influenciando positivamente suas igrejas e comunidades locais a voltarem ao Evangelho puro e simples, de uma forma mais próxima daquilo que nasceu no coração de Deus, onde as pessoas, e o Seu amor por elas é o centro da vida cristã.

Não podemos nos render a esse show business que assistimos e ouvimos todos os dias, que transforma a nossa fé em um negócio rentável para construção de grandes impérios manipuladores de pessoas. Os nossos interesses devem ser os interesses do Reino de Deus e não política, marketing, estatísticas de crescimento e potencial de arrecadação. Também não devemos ceder aos célebres teólogos da reta doutrina, com suas doutrinas, usos e costumes que tentam controlar e invadir a privacidade das pessoas, com suas ordenanças e visões “privilegiadas”, colocando fardos nas costas dos seus fiéis que nem mesmo eles são capazes de carregar, como Paulo afirma na carta aos Colossenses, quando diz que “tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo; pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2 ). Mas ainda há outras frentes, como por exemplo, os liberalistas cristãos e a tentativa de reiventar o Evangelho, destruindo assim a fé e os padrões morais do cristianismo, com seru relativismo moral.

Não podemos nos esquecer que a igreja somos nós e não as paredes do nosso templo, e como igreja devemos nos atentar para as pessoas que estão do lado de fora, com seus dilemas, problemas e dúvidas, necessitando ser compreendidas, amadas e amparadas. Nossa promessa não é a de que todos os nossos problemas serão resolvidos, mas que nunca mais estaremos sozinhos na construção da nossa vida. Como igreja, não podemos tolerar as injustiças sociais, nem se conformar com esse mundo, mas transformá-lo pela mensagem do Evangelho. Temos que ser capazes de construir um cristianismo capaz de ser, como proposta, realizável para um ser humano estruturado no presente, sem perder a essência das palavras de Jesus sobre amor, moralidade e esperança.

Se estamos fazendo uma “reforma” no sentido literal da palavra eu não sei, mas vamos lutar até o fim para resgatar o Evangelho que foi perdido nas mãos de líderes fraudulentos e suas estripulias religiosas, e vamos tocar aquelas que são o foco do Amor de Deus: as pessoas, como nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

Flavio Alcantara
Fonte: http://www.stayfreak.com/2010/08/revista-epoca-novos-evangelicos.html





31 outubro 2009

Ed #16
Parabéns, Reforma!

Hoje é dia de comemoração, é 31 de outubro. Não, não é halloween, é dia da Reforma Protestante.

Hoje tivemos o privilégio de ver o filme Lutero na nossa igreja. A palavra que eu levei antes de iniciarmos o filme teve uma coincidência que eu mesmo não notei. Falei de Jeremias 31.31, no dia 31 de outubro.

Cabalismos a parte, foi muito propício. Leiamos, do verso 31 ao 34:

“Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados.”


Pela ousadia de irmãos que colocaram sua vida em jogo não precisamos de homens entre nós e Deus. Não precisamos pagar por nossas bênçãos, por nossa prosperidade. Ao menos assim deveria ser.


É bem verdade que não precisamos mais nos confessar a homens para que Deus nos perdoe, assim como nossos olhos foram abertos para uma série de coisas, mas ao mesmo tempo, a igreja que um dia foi reformada vem se deformando.


A igreja que um dia se viu livre dos papas, criou novos para si. Pastores inerrantes, homens absolutos, inquestionáveis, como eram os “vigários de Cristo”.


A igreja que deixou de comprar as indulgências, compra a escolta contra o “devorador”.


A igreja que se viu capaz de conhecer a Deus através de sua palavra, hoje depende da interpretação “inequívoca” de seus líderes.


A igreja que um dia foi julgada herege e rebelde por ser reformadora, hoje julga de igual forma seus reformadores.


A igreja que foi acusada de se levantar contra os “ungidos de Deus” da época, hoje, em nome de seus novos “papas evangélicos”, criaram novos réus rebeldes para seus tribunais infalíveis em justiça.


Não se enganem, meus irmãos, a Reforma não terminou com Lutero. Este espaço é como as portas da igreja de Wittenberg. Continuarei a pregar as teses que incomodam os conformados.


Mas como herança da Reforma que hoje aniversaria, tenho a mesma esperança de nosso irmão Martinho Lutero, de ver uma igreja livre das amarras do medo e da dominação dos poderosos clérigos. Hoje, porém, sob o rótulo de líderes evangélicos.


Parabéns, Reforma. Que Deus continue a te dar forças, e não nos esqueçamos de nos reformar até o dia em que venha o Cristo nos buscar.


Sola Scriptura.

Sola Gratia.

Sola Fide.

Solus Christus.

Soli Deo Glória.

Diêgo Rios.

08 julho 2009

Ed #15
“Há abusos em nome de Deus”
Jornalista relata os danos do assédio espiritual cometido por líderes evangélicos
Kátia Mello

A igreja evangélica está doente e precisa de uma reforma. Os pastores se tornaram intermediários entre Deus e os homens e cometem abusos emocionais apoiados em textos bíblicos. Essas são algumas das afirmações polêmicas da jornalista Marília de Camargo César em seu livro de estreia, Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão), que será lançado no dia 30. Marília é evangélica e resolveu escrever depois de testemunhar algumas experiências religiosas com amigos de sua antiga congregação.

ENTREVISTA - MARÍLIA DE CAMARGO CÉSAR




QUEM É
Marília de Camargo César, 44 anos, jornalista, casada, duas filhas

O QUE FEZ
Editora assistente do jornal O Valor, formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero

O QUE PUBLICOU
Seu livro de estreia é Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão)




ÉPOCA – Por que você resolveu abordar esse tema?
Marília de Camargo César – Eu parti de uma experiência pessoal, de uma igreja que frequentei durante dez anos. Eu não fui ferida por nenhum pastor, e esse livro não é nenhuma tentativa de um ato heroico, de denúncia. É um alerta, porque eu vi o estado em que ficaram meus amigos que conviviam com certa liderança. Isso me incomodou muito e eu queria entender o que tinha dado errado. Não quero que haja generalizações, porque há bons pastores e boas igrejas. Mas as pessoas que se envolvem em experiências de abusos religiosos ficam marcadas profundamente.

ÉPOCA – Qual foi a história que mais a impressionou?
Marília – Uma das histórias que mais me tocaram foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Em uma igreja, ela ouviu que estava curada e que, caso se sentisse doente, era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença autoimune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo, mas ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.

ÉPOCA – Que tipo de experiência você considera como abuso religioso e que marcas são essas?
Marília – Meu livro é sobre abusos emocionais que acontecem na esteira do crescimento acelerado da população de evangélicos no Brasil. É a intromissão radical do pastor na vida das pessoas. Um exemplo: uma missionária que apanha do marido sistematicamente e vai parar no hospital. Quando ela procura um pastor para se aconselhar, ele fala assim para ela: “Minha filha, você deve estar fazendo alguma coisa errada, é por isso que o teu marido está se sentindo diminuído e por isso ele está te batendo. Você tem de se submeter a ele, porque biblicamente a mulher tem de se submeter ao cabeça da casa. Então, essa mulher, que está com a autoestima lá embaixo, que apanha do marido - inclusive pelo Código Civil Brasileiro ele teria de ser punido - pede um conselho pastoral e o pastor acaba pisando mais nela ainda. E ele usa a Bíblia para isso. Esse é um tipo de abuso que não está apenas na igreja pentecostal ou neopentecostal, como dizem. É um caso da Igreja Batista, em que, teoricamente, os protestantes históricos têm uma reputação melhor.

ÉPOCA – Seu livro questiona a autoridade pastoral. Por quê?
Marília As igrejas que estão surgindo, as neopentecostais, e não as históricas, como a presbiteriana, a batista, a metodista, que pregam a teologia da prosperidade, estão retomando a figura do “ungido de Deus”. É a figura do profeta, do sacerdote, que existia no Antigo Testamento. No Novo Testamento, não existe mais isto. Jesus Cristo é o único mediador. Então o pastor dessas igrejas mais novas está se tornando o mediador. Para todos os detalhes da sua vida, você precisa dele. Se você recebeu uma oferta de emprego, o pastor pode dizer se deve ou não aceitá-la. Se estiver paquerando alguém, vai dizer se deve ou não namorar aquela pessoa. O pastor, em vez de ensinar a desenvolver a espiritualidade, determina se aquele homem ou aquela mulher é a pessoa da sua vida. E o pastor está gostando de mandar na vida dos outros, uma atitude que abre um terreno amplo para o abuso.

ÉPOCA – Você também fala que não é só culpa do pastor.
Marília Assim como existe a onipotência pastoral, existe a infantilidade emocional do rebanho, que é o que o Sérgio Franco, um dos pastores psicanalistas entrevistados no livro, fala. A grande crítica do Freud em relação à religião era essa. Ele dizia que a religião infantiliza as pessoas, porque você está sempre transferindo as suas decisões de adulto - que são difíceis - e a figura do sagrado, no caso aqui o líder religioso, para a figura do pai ou da mãe - o pastor, a pastora. É a tendência do ser humano em transferir responsabilidade. O pastor virou um oráculo. É mais fácil ter alguém, um bode expiatório, para pôr a culpa nas decisões erradas tomadas.

“O pastor está gostando de mandar na vida dos outros
e receber presentes. Isso abre espaço para os abusos”

ÉPOCA – Quais são os grandes males espirituais que você testemunhou?
MaríliaEu vi casamentos se desfazer, porque se mantinham em bases ilusórias. Vi também pessoas dizendo que fazer terapia é coisa do Diabo. Há pastores contra a terapia que afirmam que ela fortalece a alma e a alma tem de ser fraca; o espírito é que tem que ser forte. E dizem isso supostamente apoiados em textos bíblicos. Dizem que as emoções têm de ser abafadas e apenas o espírito ser fortalecido. E o que acontece com uma teologia dessas? Psicoses potenciais na vida das pessoas que ficam abafando as emoções. As pessoas que aprenderam essa teologia e não tiveram senso crítico para combatê-la ficaram muito mal. Conheci um rapaz com muitos problemas de depressão e de autoestima que encontrou na igreja um ambiente acolhedor. Ele dizia ter ressuscitado emocionalmente. Só que com o passar dos anos, o pastor se apoderou dele. Mas ele começou a perceber que esse pastor é gente, que gosta de ganhar presentes e que usa a Bíblia para se justificar. Uma das histórias que mais me tocou foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Ela foi para uma dessas igrejas e ouviu que se estivesse sentindo ainda doente era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença auto-imune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo e não a autorizou. Mesmo assim, ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Ela entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.

ÉPOCA – Por que demora tanto tempo para a pessoa perceber que está sendo vítima?
Marília – Os abusos não acontecem da noite para o dia. A pessoa que está sendo discipulada, que aprende com o pastor o que a Bíblia diz, desenvolve esse relacionamento aos poucos. No primeiro momento, ela idealiza a figura do líder, como alguém maduro, bem preparado. É aquilo que fazemos quando estamos apaixonados: não vemos os defeitos. O fiel vê esse líder como um intermediário, como um representante de Deus que tem recados para a vida dele, um guru. E o pastor vai ganhando a confiança dele num crescendo, como numa amizade. Esse líder, que acredita que Deus o usa para mandar recados para sua congregação, passa a ser uma referência na vida do fiel. O fiel, pro sua vez, sente uma grande gratidão por aquele que o ajudou a mudar sua vida para melhor. Ele se sente devedor do pastor e começa, então, a dar presentes. O fiel quer abençoar o líder porque largou as drogas, ou parou de beber, ou parou de bater na mulher, ou porque arrumou um emprego e está andando na linha. E começa a dar presentes de acordo com suas posses. Se for um grande empresário, ele dá um carro importado para o pastor. Isso eu vi acontecer várias vezes. O pastor, por sua vez, gosta de receber esses presentes. É quando a relação se contamina, se torna promíscua. E o pastor usa a Bíblia para dizer que esse ato é bíblico. O poder está no uso da Bíblia para legitimar essas práticas.

ÉPOCA – Qual é o limite da autoridade pastoral?
Marília – O pastor tem o direito de mostrar na Bíblia o que ela diz sobre certo tema. Como um bom amigo, ele tem o direito de dar um conselho. Mas ele tem de deixar claro que aquilo é apenas um conselho. Pode até falar que o resultado disso ou daquilo pode ser ruim para a vida do fiel. Mas ele não pode mandar a pessoa fazer algo em nome de Deus. O que mais fere as pessoas é ouvir uma ordem em nome de Deus. Se é Deus, então prova! Se Deus fala para o pastor, por que Ele não fala para o fiel? Eles estão sendo extremamente autoritários.

ÉPOCA – Você afirma que muitos dos pastores não agem por má-fé, mas por uma visão messiânica. Explique.
Marília – É uma visão messiânica para com seu rebanho. Lutero (teólogo alemão responsável pela reforma protestante no século XVI) deve estar dando voltas na tumba. Porque o pastor evangélico virou um papa que é a figura mais criticada no catolicismo, o inerrante. E não existe essa figura, porque somos todos errantes, seres faltantes, como já dizia Freud. Pastor é gente. E é esse pastor messiânico que está crescendo no evangelismo. Existe uma ruptura entre o Antigo e o Novo Testamento, que é a cruz. A reforma de Lutero veio para acabar com a figura intermediária e a partir dela veio a doutrina do sacerdócio universal. Todos têm acesso a Deus. Uma das fontes do livro disse que precisamos de uma nova reforma e eu concordo com ela. Essa hierarquização da experiência religiosa, que o protestante tanto combateu no catolicismo, está se propagando. Você não pode mais ter a conversa direta com o divino. Porque tem aquela coisa da “oração forte” do pastor. Você acha que ele ora mais que você, que ele tem alguma vantagem espiritual e, se você gruda nele, pega uma lasquinha. Isso não existe. Somos todos iguais perante Deus.

ÉPOCA – Se a igreja for questionada em seus dogmas, ela não deixará de ser igreja?
Marília – Eu não acho isso. A igreja tem mesmo de ser questionada, inclusive há pensadores cristãos contemporâneos que questionam o modelo de igreja que estamos vivendo e as teologias distorcidas, como a teologia da prosperidade, que são predominantemente neopentecostais e ensinam essa grande barganha. Se você não der o dízimo, Deus vai mandar o gafanhoto. Simbolicamente falando, Ele vai te amaldiçoar. Hoje o fiel se relaciona com o Divino para as coisas darem certo. Ele não se relaciona pelo amor. Essa é uma das grandes distorções.

ÉPOCA – Por que você diz que existe uma questão cultural no abuso religioso?
Marília – Porque o brasileiro procura seus xamãs, e isso acontece em todas as religiões. O brasileiro é extremamente religioso. A ÉPOCA até publicou uma matéria sobre isso, dizendo que a maioria acredita em algo e se relaciona com isso, tentando desenvolver seu lado espiritual. O brasileiro gosta de ter seu oráculo. A pessoa que vem do catolicismo, onde há centenas de santos, e passa a ser evangélica transfere aquela prática e cultura do intermediário para o protestantismo, e muitas igrejas dão espaço para isso. O pastor Edir Macedo (da igreja Universal) trouxe vários elementos da umbanda, do candomblé, porque ele é convertido. Ele diz que o povo precisa desses elementos -que ele chama de pontos de contato - para ajudar a materializar a experiência religiosa. A Bíblia condena tudo isso.

ÉPOCA – No livro você dá alguns alertas para não cair no abuso religioso. Fale deles.
Marília – Desconfie de quem leva a glória para si. Um conselho é prestar atenção nas visões megalomaníacas. Uma das características de quem abusa é querer que a igreja se encaixe em suas visões, como quere ganhar o Brasil para Cristo e colocar metas para isso. E aquele que não se encaixar é um rebelde, um feiticeiro. Tome cuidado com esse homem. Outra estratégia é perguntar a si mesmo se tem medo do pastor ou se pode discordar dele. A pessoa que tem potencial para abusar não aceita que discorde dela, porque é autoritária. Outra situação é observar se o pastor gosta de dinheiro e ver os sinais de enriquecimento ilícito. São esses geralmente os que adoram ser abençoados e ganhar presentes. Cuidado com esse cara.

21 abril 2009

Ed #14
Um reformador na América





Este e Paul Washer, um reformador note-americano que propõe uma metanóia dentro do cristianismo estadunidense, um exemplo de coragem a ser observado.

"o que você está aplaudindo?
Eu estou falando de você!"
Paul Washer

Soli Deo Gloria

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Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Zp-zuuwrIII

24 janeiro 2009

Ed #13
TRAGÉDIA e ACIDENTE: gente ficou ferida e outros morreram!

Uma tragédia acontecera. Pilatos misturara o sangue de alguns Galileus com o sangue dos sacrifícios que eles ofereciam em seu culto fora de lugar, fora do Templo de Jerusalém.

Outra tragédia aconteceu logo depois. A torre do Tanque de Siloé desabou e matou as 18 pessoas que lá estavam.

Jesus estava andando pelo país...

Então, chegaram as notícias.

“O Senhor soube? Soube o que Pilatos fez? Soube o que houve com os crentes na torre que caiu?”

Eles queriam um juízo, uma explicação, uma condenação, uma lógica moral. Afinal, esse negócio de tragédia — pensam os crentes —, é coisa para descrente e para crente em pecado; pois, a teologia dos crentes sempre foi a dos “amigos de Jó”: tragédia é o fruto do pecado; e é sempre juízo de Deus contra o pecador.

Sim! Desse modo pensam sempre os crentes, exceto quando a casa que cai é a deles!

Mas quando a casa cai e a residência é a do descrente ou a do crente “desviado ou em pecado”, então, está tudo explicado!

Jesus, porém, ouviu as insinuações que as “questões” induziam ao pensar, e, sem falar delas, apenas disse:

“Vocês pensam que os Galileus da tragédia eram mais pecadores do que os demais Galileus que não morreram? Ou que aqueles 18 sobre os quais a torre caiu eram mais pecadores do que os demais habitantes de Jerusalém? Em verdade eu digo a vocês não eram. Mas se vocês não se arrependerem, todos igualmente perecerão”.

Para Jesus telhados que caem são apenas telhados que caem; e podem cair sobre a cabeça de qualquer um. Para cair, basta estar no alto, e, para matar, basta que haja gente em baixo.

No entanto, sabendo como os “crentes das noticias de tragédias” são como pessoas, Jesus apenas disse:

Não é o modo da morte que conta. É o modo da vida que conta. Se vocês continuarem a viver assim, morrendo, sem Deus, porém cheios de religião, ainda que vocês morram de velhos, todos, todavia, independentemente do modo da morte, perecereis para a eternidade; posto que cuidaram apenas de julgarem os mortos, e não aprenderam a viver a vida dos vivos!

Não importa o modo da morte. Importa sim o modo da vida; pois, se não mudarmos de mente, todos, igualmente, veremos não um céu de gesso, como o da Renascer, cair na nossa cabeça, mas veremos os céus mesmo, desabando sobre nós e sobre nossas incuráveis arrogâncias.

Oro por todos. Por todos mesmo: os acidentados, os feridos, os enlutados, os aflitos...

Oro também para que, não pelo telhado ou pelas mortes, mas pela vida, que os responsáveis espirituais por este povo agora ainda mais perdido e confuso convertam-se à vida que é; e que não é como eles ensinam ao povo que seja; e a prova disso é que os telhados caem e não há ninguém que possa decretar ao contrário.

O convite de Jesus não é para que se pondere sobre as tragédias, mas sim sobre a vida que nunca é trágica, mesmo quando as tragédias se abatem sobre ela.

Sim! Tal vida não julga a Graça de Deus por dinheiro, prosperidade ou sucesso humano; mas, exclusivamente, pelo testemunho de coerência com o Evangelho, ainda que se esteja morrendo a morte mais louca e insana, como a de João Batista, cuja cabeça foi servida em um prato a fim de que Herodes fizesse a corte de uma jovem que ele desejava ‘comer’ como quem come um pedaço de picanha.

Silêncio! O Senhor está no Seu Santo Templo! Cale-se diante Dele toda a Terra!

Nele,
Caio
19 de janeiro de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

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Fonte: http://www.caiofabio.com/novo/caiofabio/pagina_conteudo.asp?CodigoPagina=0427300007

08 outubro 2008

Ed #12
Religião e alucinação

Ricardo Gondim


Tenho muita pena dos crédulos. Chego a chorar por mulheres e homens ingênuos; os de semblante triste que lotam as magníficas catedrais, na espera de promessas que nunca se cumprirão.


Estou consciente de que não teria sucesso se tentasse alertá-los da armadilha que caíram. A grande maioria inconscientemente repete a lógica sinistra do, “me engana que eu gosto”.


Se pudesse, eu diria a todos que não existe o mundo protegido dos sermões. Só no “País da Alice” é possível viver sem perigo de acidentes, sem possibilidade da frustração, sem contingência e sem risco.


Se pudesse, eu diria que não é verdade que “tudo vai dar certo”. Para muitos (cristãos, inclusive) a vida não “deu certo”. Alguns sucumbiram em campos de concentração, outros nunca saíram da miséria. Mulheres viram seus maridos agonizarem sob tortura. Pais sofreram em cemitérios com a partida prematura dos filhos.


Se pudesse, advertiria os simples de que vários filhos de Deus morreram sem nunca ver a promessa se cumprir.


Se pudesse, eu diria que só nos delírios messiânicos dos falsos sacerdotes acontecem milagres aos borbotões. A regularidade da vida requer realismo. Os tetraplégicos vão ter que esperar pelos milagres da medicina - quem sabe, um dia, os experimentos com células tronco consigam regenerar os tecidos nervosos que se partiram. Crianças com Síndrome de Down merecem ser amadas sem a pressão de “terem que ser curadas”. Os amputados não devem esperar que os membros cresçam de volta, mas que a cibernética invente próteses mais eficientes.


Se pudesse, eu diria que só os oportunistas menos escrupulosos prometem riqueza em nome de Deus. Em um país que remunera o capital acima do trabalho, os torneiros mecânicos, os motoristas, os cozinheiros, as enfermeiras, os pedreiros, as professoras, vão ter dificuldade para pagar as despesas básicas da família. Mente quem reduz a religião a um processo mágico que garante ascensão social.


Se pudesse, eu diria que nem tudo tem um propósito. Denunciaria a morte de bebês na Unidade de Terapia Intensiva do hospital público como pecado; portanto, contrária à vontade de Deus. Não permitiria que os teólogos creditassem na conta da Providência o rio que virou esgoto, a floresta incendiada e as favelas que se acumulam na periferia das grandes cidades. Jamais deixaria que se tentasse explicar o acidente automobilístico causado pelo bêbado como uma “vontade permissiva de Deus”.


Se pudesse, eu pediria as pessoas que tentassem viver uma espiritualidade menos alucinatória e mais “pé no chão”. Diria: não adianta querer dourar o mundo com desejos utópicos. Assim como o etíope não muda a cor da pele, não se altera a realidade fechando os olhos e aguardando um paraíso de delícias. Estou consciente de que não serei ouvido pela grande maioria. Resta-me continuar escrevendo, falando... Pode ser que uns poucos prestem atenção.


Soli Deo Gloria.